Pesquisa

 

Em Marketing Digital pesquisa é habitualmente associada a uma consulta feita num website, através da inserção dum termo numa janela de pesquisa, após o que é esperado que apareçam resultados.

A pesquisa é um dos fenómenos mais importantes em Marketing Digital. Tal como a conhecemos hoje, é o nosso primeiro interlocutor na Internet

Quando fazemos uma pesquisa num motor de busca estamos a anunciar uma intenção.

E de intenção em intenção, todos os milhões de utilizadores dos motores de busca contribuem a todos os minutos para o mais duradouro, importante e significativo apetrecho cultural na história da humanidade, a Base de Dados de Intenções, cujos pilares assentam nas transacções, declarações, comportamentos e ligações feitos na Web. 

«Coloquem uma janela de pesquisa em frente seja de quem for e essa pessoa logo saberá o que há-de fazer com isso.» John Battelle.

Janela de pesquisa

Com efeito, a pesquisa permitirá ilustrar a história da era moderna em todas as mais variadas vertentes.
Hoje em dia os motores de pesquisa, a troco de um pouco da nossa privacidade, ostentam anúncios publicitários de acordo com as intenções que lhes demonstrámos, quando lhes pedimos resposta a uma pesquisa.
Por enquanto, a conveniência, o serviço e o poder que os motores de busca nos proporcionam, forçam-nos a fechar os olhos à intromissão na nossa corrente de consultas.

Diversos motores de busca


A pesquisa desagua num imenso oceano de marketingmédia, tecnologia, cultura e direitos fundamentais. Empresas como a Google podem transacionar a identidade digital duma pessoa a pedido.
Instituições policiais, militares ou administrativas, podem a todo o momento violar as riquíssimas bases de dados de intenções, de empresas como a Google, Bing ou Baidu. 

Segundo um executivo da Google, «Um só episódio negativo é a distância que nos separa de sermos vistos como Big Brother».
O que acontece aos dados armazenados naquelas empresas? Quando pesquisamos temas tabus ou da nossa mais íntima esfera privada, queremos acreditar que o rasto deixado por essa informação não será usado contra nós. 
Mas será assim?

A busca antes do Google

Poucos de nós nos lembramos que já houve uma era antes do Google. Parece incrível mas é verdade.
Nesta secção faremos uma incursão arqueológica pelos idos tempos em que o Google corria num computador instalado num dormitório da Universidade de Stan­ford.

O ARCHIE

O primeiro motor de busca conhecido chamava-se Archie e limitava-se a elaborar índices dos ficheiros que detectava na Net. Desenvolvido na Universidade McGill em Montreal, tratava-se dum sistema desenhado para utilizadores tecnológicos, aten­dendo ao seu carácter pouco user friendly. 

O ALTAVISTA

Mais tarde surgem o Verónica, o Wanderer e o WebCrawler, sendo o AltaVista con­siderado o primeiro serviço de busca verdadeiramente bom. Com efeito, até então os motores de busca só indexavam a URL e não o conteúdo integral do site. Ora o que a AltaVista fez para suprir esta limitação foi aumentar a capacidade do parque informático, pondo a correr 1000 crawlers ao mesmo tempo. O problema da AltaVista também residiu no facto de em 1996 ser economicamente inviável criar um negócio exclusivamente de busca.
No entanto, em 1997, na corrida da busca com a Yahoo e a AOL, a AltaVista par­tia largamente à frente.
 

O LYCOS

Em 1995 surge a Lycos, com o patrocínio da Carnegie Mellon University. O nome foi inspirado na lycosidae, uma aranha que sai da teia para apanhar as suas presas. Este foi o primeiro entre os principais motores de busca a incluir no seu algoritmo os links externos como critério de relevância dum site.

O EXCITE

O Excite apareceu em 1995, na sequência dum projecto desenvolvido, tal como o Google, na Universidade de Stanford. Apesar do carácter inovador a empresa não conseguiu nunca superar a Yahoo, que era o líder da Net, e, pior, entrou em pro­cesso de falência, tendo mudado de mãos várias vezes.
Mas pelo caminho, é importante lembrar, criou o primeiro sistema de personali­zação de páginas na Web. Os utilizadores podiam estipular as suas preferências para a sua página, colocando ou tirando notícias, meteorologia, etc. Foi também o primeiro dos grandes portais a proporcionar e-mail gratuito.

O YAHOO

Em 1995 Jerry Yang e David Filo criaram uma das marcas mais poderosas do mundo, recorrendo simplesmente a um dicionário. Inspirados por terminologia infor­mática lembraram-se do YA (Yet Another). Abriram o dicionário na letra Y e pararam na palavra Yahoo. Quando verificaram que o termo também significava Yet Another Hierarchical Officious Oracle (Mais Um Guia Oficioso Hierarquizado) ficaram por aí.
Yang e Filo não tinham, de início, ideia de que o negócio da busca tivesse algum valor.
Filo afirma que «no princípio, não se podia colocar uma janela de busca em frente das pessoas esperando que elas soubessem o que fazer com ela».
Assim criaram um directório em que a navegação ficava mais facilitada, pois as páginas apareciam de forma hierarquizada. Esta abordagem tinha todos os ingre­dientes de sucesso, numa altura em que a jovem Web se encontrava em estado sel­vagem e caótico.
Os gestores da empresa sabiam que a busca era um negócio demasiadamente caro para ter qualidade. Assim, concentraram-se num modelo de portal de tráfego, sustentado por publicidade, deixando amplo espaço para o primeiro player que qui­sesse e soubesse avançar.

Enquanto o Google teve início com base num algoritmo criado durante um douto­ramento, o Yahoo iniciou-se como um guia de navegação na Web.
Com isto tudo conclui-se que todas estas empresas são a materialização do chamado «Paradoxo de Ícaro», situação em que ao grande sucesso duma organiza­ção se segue um severo declínio. 

Nestes casos não houve visão para detectar a oportunidade encerrada no mercado da busca, nem antecipa­ção do movimento da concorrência, deixando assim à Google um imenso espaço vazio para preencher e crescer.
Larry Page e Sergey Brin, cultivando «uma saudável indiferença em relação ao impossível», não perderam a oportunidade de preencher aquele espaço, disponibilizando o acesso gratuito e imediato à informação, qualquer que fosse o assunto, fazendo do Google a marca melhor conhecida em todo o mundo, sem recurso a qualquer tipo de publicidade.


 

Glossário